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terça-feira, 18 de abril de 2017

PORQUE SEMPRE TEMOS A POSSIBILIDADE DE ERRAR?

Antonio Augusto Waltrick Loureiro.

              A cada dia, temos a intenção de atingir a qualidade e a perfeição em nossas ações, todavia sempre nos deparamos com falhas, com resultados diversos dos planejados e que por via de consequência, nos levam a replanejar, a refazer metas, a olhar com outros olhos o mundo e a de alguma forma, evoluir e recriar soluções.

              Em qualquer que seja a nossa atuação, no campo das ciências, na criação, no comércio, na indústria, no meio empresarial, educacional ou técnico, teremos sempre que reconstruir, que aperfeiçoar e que fazer melhor e mais qualificado a cada momento.

                  Segundo o Filósofo Edgar Morin,

               “Todo o conhecimento comporta o risco do erro e da ilusão. A educação do futuro deve enfrentar o problema de dupla face do erro e da ilusão.
              O maior erro seria subestimar o problema do erro; a maior ilusão seria subestimar o problema da ilusão.
              O reconhecimento do erro e da ilusão é ainda mais difícil, porque o erro e a ilusão não se reconhecem, em absoluto, como tais.
        O conhecimento sob forma de palavra, de ideia, de teoria, é o fruto de uma tradução/reconstrução por meio da linguagem e do pensamento e, por conseguinte, está sujeito ao erro. Este conhecimento, a mesmo tempo tradução e reconstrução, comporta a interpretação, o que introduz o risco do erro na subjetividade do conhecedor, de sua visão do mundo e de seus princípios de conhecimento.
             Daí os numerosos erros de concepção e de ideias que sobrevêm a despeito de nossos controles racionais.”

                Por  essa  simples  razão  cabe  a  cada  um  de  nós  em  tudo  o  que  fizermos, estabelecer filtros de análise e confirmação das ideias e das teorias e dos procedimentos, testando as possibilidades e verificando a possibilidade de ocorrência de erro ou ilusão ao crermos em qualquer teoria ou conhecimento previamente estabelecidos.

              Devemos lembrar sempre, que a cada dia, surgem novas ideias e conhecimentos a respeito de todos os assuntos que já conhecemos de uma ou de outra forma. Assim sendo sempre poderemos estar desatualizados ou com algum erro de foco sobre este ou aquele fato, seja ele técnico, científico ou filosófico.

              A melhor forma de agir é ter por princípio a prudência, agir de forma pensada e clara, escolher a melhor atitude e não se deixar conduzir pelo que “dizem”, “comentam” ou o “ouviu falar”, pois palpites e comentários não são os melhores conselheiros. O que realmente vale é acreditar no conhecimento, no estudo, na atualização e na seriedade no agir e no decidir.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

REFLEXÃO SOBRE A VERDADE
            
                       Em nossa sociedade atual, muitos questionam as normas, os princípios e relativizam até mesmo conceitos consagrados ao longo do tempo, reconhecidos como verdade e realidade. Assim sendo, apresento aqui uma reflexão que dará a possibilidade de análise de uma visão atual e diferenciada sobre a verdade.

A IDEIA DE QUE A VERDADE É RELATIVA

                         A verdade muda conforme a perspectiva do observador. A opinião da cada pessoa é tão boa ou ruim quanto a de qualquer um. Os fatos da sua história – negro, gay, mulher, holocausto – podem lhe servir, mas são falsos para mim. Isso pode soar absurdo, mas é?

                        A verdade é uma ideia abstrata, mas também uma questão prática: a queremos como base segura para as nossas decisões e ações. Mas, quando as pessoas divergem sobre ela, como escolher? Protágoras ficou famoso por ter deixado a questão de lado, afirmando que não existe um teste objetivo da verdade. Sua fórmula reza: "O homem é a medida de todas as coisas, da existência das que são e da inexistência das que não são". Seu colega Sócrates sabia o que ele queria dizer. A verdade de uma pessoa é diferente da verdade de outra. 

                        A maioria dos pensadores não se dispôs a aceitar isso, alegando que se trata de um absurdo lógico: como disse o filósofo moderno Roger Scruton, “O homem que diz ‘A verdade não existe’ está lhe pedindo que não acredite nele. Portando, não acredite.” Ou, no paradoxo formulado por Hillary Putnam, da Universidade de Harvard, “O relativismo simplesmente não é verdadeiro para mim”.

                        Mas os que se dispuseram a pôr essa dificuldade de lado conseguiram chegar a conclusões radicais. Todos têm a sua realidade própria, como se cada um dos universos possíveis, ou tanto quanto há pessoas para experimentá-los, estivessem incorporados separadamente nos diversos indivíduos. Por que não abandonar a “verdade” de uma vez?  Ela não seria um floreio retórico, uma lisonja para as afirmações que queremos dignificar ou um dispositivo para oprimir quem veja as coisas de outro modo? 

                        Se cada qual for o árbitro de suas opiniões, todas as visões hão de ser válidas e inválidas. O governo da maioria, ou o consenso comunitário, é o único modo de regular a sociedade. É mais ou menos assim que funciona a democracia moderna.


Fonte: ideias, de Felipe Fernàndez-Armesto
ZETÉTICA JURÍDICA
Antonio Augusto Waltrick Loureiro
Advogado/Professor

            Quando fazemos uma análise científica do fenômeno jurídico, um dos caminhos é a investigação do Direito no âmbito das diversas ciências que sofrem sua influência.
            Dentre as diversas ciências influenciadas pelo Direito, encontram-se a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia, a História, a Filosofia, a Ciência Política e mesmo a Teologia.
            Assim podemos visualizar a múltipla influência a partir da incorporação de conceitos e princípios que qualificam o conhecimento integrado e a importância da interdisciplinaridade.
            Nascem assim a Sociologia Jurídica, a Filosofia do Direito, a Psicologia Forense, a História do Direito, a Criminologia, a Penalogia, o Direito Canônico, a Teoria da Legislação.
            Pode-se desta forma obter uma maior abrangência de análise e uma maior extensão na pesquisa e na aplicabilidade dos conceitos de direito a outros ramos do conhecimento.
            Isto é o que possibilita o conhecimento amplo de cada uma das ciências quando elas interagem entre si, criando um ambiente de cultura diversificada, que oferecem ao estudioso de qualquer área, um saber mais completo.
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            A teoria jurídica tem um fator de permanente evolução e sofre transformações a medida em que age de forma positiva ou negativa sobre as instituições jurídicas e suas resultantes.
            Concentra-se na linguagem os diversos modos de dar a conhecer as diversas situações da vida e das ciências. Enquanto o cientista das demais ciências utiliza a linguagem como meio de mera comunicação informativa, o cientista do Direito utiliza a linguagem não só para informar, mas também como elemento diretivo e assim o jurista oferece na informação jurídica também um elemento de direcionamento no comportamento das pessoas.
            Está aí a grande diferença do Direito para as demais ciências, enquanto as outras ciências dizem como é, o Direito diz como deve ser, sem deixar de ver como é. O Direito é, portanto, uma ciência normativa, que cria e forma meios de procedimento adequado, ainda que se utilizando dos fatos e das situações científicas constatadas pelas demais ciências.

            Resumindo a os aspectos básicos da Zetética Jurídica

•        Zetética são investigações que tem por objeto o direito no âmbito da Sociologia, Antropologia, História, Filosofia, Psicologia, Ciência Política, etc..
•        Estas disciplinas de modo geral admitem, no âmbito de suas preocupações, um espaço para o fenômeno jurídico.
•        A medida que o espaço é aberto para investigações destes fenômenos, incorporam-se ao campo das investigações jurídicas, as disciplinas sofrem uma modificação até mesmo em suas denominações passando a ser parte fundamental no âmbito da análise jurídica.
•        A investigação zetética tem sua característica  principal a abertura constante para o questionamento dos objetos do estudo em todas as direções, por isso dizemos que as investigações são infinitas.

            Em Introdução ao Estudo do Direito – utilizam-se duas formas de análise do Direito.
   Uma delas é a Dogmática Jurídica (o Direito visto como ciência ou sistema normativo)
   Outra é a Zetética Jurídica (o Direito sob o ponto de vista de outras disciplinas)

            Assim fica no ar um questionamento, qual é a forma mais adequada de análise do Direito? Qual a maneira mais plena para o aproveitamento daqueles que buscam conhecer o Direito?

            Segundo Tércio Sampaio Ferraz Jr. (2008), deve-se analisar o direito pelo seu enfoque dogmático, porém com uma visão zetética. Isto significa que o autor nos convida a fazermos um estudo crítico da Ciência do Direito. Portanto sempre que formos observar algo de importância na Ciência do Direito, devemos questionar se é efetiva a sua importância, se este é o enfoque mais completo e adequado com vistas aos resultados e aos reflexos sobre toda a vida das pessoas para as quais se destina o Direito.


            O bem comum é e sempre será a medida mais plena para sabermos da adequação plena de uma norma de um ditame legal, de uma sentença, ou qualquer outra forma de aplicação do Direito.

domingo, 17 de agosto de 2014

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


PENSANDO EM CIÊNCIA NA EDUCAÇÃO

Prof. Antonio Augusto W. Loureiro


Estava me deleitando com alguns livros em minha cabeceira, e num momento me deparei com a magnífica obra de Carl Sagan, "O Mundo Assombrado Pelos Demônios", na qual o emérito cientista, versa sobre diversos temas, desde a imaginação de seus infantes dias.
Relembra sua curiosidade pelas banalidades da vida, pela natureza e pelos rudimentos de sua vida escolar recém iniciada. Sua imaginação voava em busca de algo interessante, atrativo, algo a ser descoberto.
        Ao visitar a Feira Mundial de Nova York, em 1939, obteve a visão de um futuro perfeito que a ciência e a tecnologia tornariam possível, um mundo luzidio, limpo, aerodinâmico e onde não se vislumbrava nem sinal de pessoas pobres. Sua decisão de tornar-se um cientista foi tomada ali.
Voltando à realidade, observou que em sua escola não havia entusiasmo científico por parte dos seus professores, e que todas as matérias versavam sobre idéias pré-estabelecidas, sem a possibilidade de criar em seus estudos. Nas bibliotecas ao revés, existia material interessante e livros maravilhosos que não eram utilizados em sala de aula.
Assim, seu interesse científico, só foi mantido, em virtude das leituras e da curiosidade que lhe eram inerentes.
Todavia, sua expectativa foi plenamente atendida no curso superior, na Universidade de Chicago, onde laboratórios e professores qualificados abriram-lhe as portas para a descoberta da beleza das ciências, da forma como sempre sonhara. Do conhecimento da Filosofia, até as belezas da Física e da Astronomia.
Ao me deparar com as análises do astrônomo, passei a me perguntar, quantos dos nossos alunos poderão vir a ser grandes e destacados cientistas, nas mais diversas áreas da ciência? Quantos terão a verdadeira curiosidade, a vontade de aprender, quantos deles estarão sedentos de saber?
Diante de tais questionamentos, comecei a analisar os nossos dias, os nossos alunos e as nossas práticas pedagógicas. Assim meditando, lembrei de um fato bem atual.
Em nossos dias, os apelos da mídia, o consumismo, a variedade de meios de comunicação e a velocidade da vida, interferem na concentração, roubam as horas de sono, desviam o pensamento para o esporte, para a superprodução, para as banalidades cada vez mais "interessantes", onde o marketing estabelece artifícios visando a implantação de mais algum produto no cotidiano do jovem.
Assim sendo, o interesse pelas coisas da vida e da natureza, pelos estudos, pelas belezas da ciência e pelas descobertas nos diversos campos do conhecimento, passam a um segundo plano. As aulas são uma obrigação, melhor seria estar navegando na internet, ouvindo, assistindo ou baixando um novo "hit" ou um novo vídeo, ou ainda estar "logado" no ORKUT, MSN ou FACEBOOK, num bate papo virtual.
Onde então está a curiosidade científica? Como podemos despertá-la?
As nossas práticas baseadas num quadro de giz, em um compêndio básico padronizado, em algumas análise em multimídia estarão fustigando o adormecido interesse dos nossos jovens?
No dizer do grande Rubem Alves, o mais importante é "mostrar a vida a quem ainda não a viu", é acima de tudo ampliar-lhes o olhar, fazer com que vejam o mundo, as diversas possibilidades de alcançar o que está ali, mas, que era inatingível por não ser visto.
É da prática pedagógica entusiasmada, da capacidade de ver e de fazer enxergar do professor, que certamente nascerá o interesse, onde a ciência passará a ser um novo atrativo, uma nova maneira de ver o mundo para os nossos jovens, uma chave para que eles alcancem tudo o quanto sempre desejaram e sonharam, mas que ainda não tinham a capacidade de ver. 
Na era da visão, não basta educar para as habilidades, precisamos educar para a sensibilidade, para visão de um mundo mais amplo, pleno e certamente para um futuro mais feliz. 
-o-



 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

UMA VISÃO SOBRE O CAPITAL

UMA VISÃO SOBRE "O CAPITAL"

Por Antonio Augusto Waltrick Loureiro


Karl Marx e de sua obra geradora da corrente de pensamento mais revolucionária do pensamento social e em virtude de suas consequências na prática social, requer uma ampla reflexão.


O pensamento de Marx, desdobrou-se em muitas correntes, baseadas nas diversas interpretações (nem sempre claras e corretas), feitas por pessoas muitas vezes incultas ou mal intencionadas, cujo objetivo quase sempre é desestabilizar o poder constituído, com o único intuito de assumir o poder, visando ao próprio locupletamento e utilizando-se do proletariado como massa de manobra para a ascensão pessoal.


Suas ideias ainda foram incorporadas e criticadas por inúmeros comentaristas, sociólogos e filósofos.


Ao escrever seus trabalhos de caráter sociológico, Marx tencionava não apenas contribuir para o desenvolvimento da ciência social, mas propor uma ampla transformação política, econômica e social.

O Capital, sua obra máxima, tinha como destino todos os homens, não apenas os estudiosos de economia, política e de sociologia. Em suas formulações havia sempre um alcance mais amplo, adquirindo dimensões de ideal revolucionário e ação política efetiva.


As contradições básicas da sociedade capitalista e as possibilidades de superação ditadas pela obra de Marx, não foram ignoradas pela Sociologia, posto que seria atitude ingênua e irresponsável, ignorar suas ideias, ainda que fosse conveniente. Entretanto aceitar suas ideias por completo, seria sem dúvida uma atitude cientificamente estéril e perigosa, por ser função primordial da ciência a análise e a comprovação técnica para uma aceitação em definitivo.


Marx em sua obra fez uma análise muito ampla, desenvolveu conceitos a respeito da alienação, classes sociais, valor, trabalho, mais valia e modo de produção.


Da Alienação


Dentro de sua obra, Karl Marx, analisa o capitalismo como meio alienante, que dissociou o trabalhador de seus meios de produção (ferramentas, matérias-primas, a terra e as máquinas), os quais passaram a ser propriedade do capitalista que era o tomador de trabalho. Diz ainda, que o trabalhador no sistema capitalista de produção, perdeu o controle do produto de seu trabalho, também propriedade do capitalista.


Declara que politicamente o homem também se tornou alienado, pois o liberalismo através do principio da representatividade, idealizou o Estado como um órgão imparcial, capaz de representar toda a sociedade e dirigi-la através do poder delegado pelos indivíduos aos políticos, que segundo ele representam somente os interesses das classes dominantes.


A filosofia passou a criar representações do homem e da sociedade. A divisão social do trabalho tornou a filosofia atividade de um determinado grupo, sendo portanto parcial, e refletindo o pensamento desse grupo.


O homem só pode recuperar sua condição humana através da crítica radical ao sistema econômico, à política e à filosofia, que segundo Marx, excluiu o homem da participação efetiva na vida social. Essa crítica radial, na prática, se efetiva através da ação política consciente e transformadora. Marx propôs não apenas um novo método de pensar, mas também, um projeto de ação.


Classes Sociais


As ideias liberais surgidas com o iluminismo consideravam os homens, por natureza, iguais política e juridicamente. Liberdade e Justiça eram direitos inalienáveis de todo o cidadão.


Marx proclama a inexistência da igualdade natural, observando que o liberalismo vê os homens como átomos, como se estivessem livres das evidentes desigualdades estabelecidas pela sociedade. Diz que as desigualdades sociais são provocadas pelas relações de produção do sistema capitalista, as quais dividem os homens em proprietários e não proprietários dos meios de produção, onde as desigualdades são a base da formação das classes sociais.


Ocorre uma relação de exploração entre a classe dos proprietários, a burguesia, e a dos trabalhadores, o proletariado, em razão de que a posse dos meios de produção, sob a forma legal de propriedade dos meios de produção, faz com que o trabalhador para sobreviver venda a sua força de trabalho ao empresário capitalista, o qual se apropria do produto do trabalho de seus operários.


Diz ainda Marx que a relação entre o capitalista e o trabalhador é de oposição e antagonismo, face aos interesses inconciliáveis. O capitalista procura preservar seu direito à propriedade dos meios de produção, dos produtos e ainda explora o trabalho do operário, reduzindo-lhe o salário ou almpliando-lhe a jornada, o trabalhador por sua vez, procura diminuir a exploração ao lutar por uma menor jornada de trabalho, melhores salários e participação nos lucros.


Por outro lado, as relações entre as classes são complementares, pois uma não existe sem a outra. Só existem proprietários porque há uma massa de despossuídos que para sobreviver só dispõem de sua força de trabalho, a qual vendem para obter os bens que lhes assegurem a sobrevivência.


O Valor do Trabalho e o Lucro


Karl Marx considerava que o capitalismo entendia a força de trabalho como mera mercadoria que os trabalhadores colocavam à venda. Mas demonstrava que enquanto os outros produtos que poderiam ser adquiridos pelos capitalistas, ao serem usados se desgastavam ou desapareciam, ao passo que o uso da força de trabalho gerava a criação de valor. Essa, porém, não era uma ideia nova sobre a força de trabalho, pois Adam Smith, já teria proclamado o trabalho como a verdadeira fonte de riqueza das sociedades.


A Mais-Valia


Dentre as ideias demonstradas por Karl Marx, a que efetivamente trouxe uma visão ampla da forma como o capitalista obtém seu lucro, é a ideia da mais-valia.


Demonstra Marx exaustivamente como pode o capitalista, ao adquirir o trabalho do operário, para utilizá-lo na produção de bens, receber uma lucratividade, sem sequer oferecer o produto por preço maior que o próprio custo.


Exemplifica, dizendo que se em "x" horas de trabalho o operário produz um determinado bem, que custa para capitalista, um valor "z", se o capitalista conseguir aumentar a carga horária, o operário produzirá maior quantidade de bens, pelo mesmo salário, o que diminuirá o custo de produção, concedendo ao capitalista o valor "y" de ganho adicional. Isto é a mais-valia.


Pode ainda o capitalista obter mais-valia, ao acrescentar em seus meios de produção, uma máquina ou equipamento, que lhe aumente a produtividade, o que fará fatalmente que o custo de produção seja muito menor, e o valor trabalho sendo o mesmo, proporcionalmente estará valendo menos, e a obtenção do lucro será ainda maior para o capitalista.


A Contribuição do Pensamento de Marx


Sem dúvida o pensamento de Marx, veio a mudar o mundo em muitos aspectos, não tendo sequer um segmento social, que não tenha sofrido sua influência. Foi sem dúvida uma revolução social, a expansão de suas ideias, que de muitas formas contribuíram para o desenvolvimento das relações sociais, em alguns momentos modificando por completo a vida e a história de muitas nações.


Por outro lado, povos que adotaram seu sistema social, tiveram, por momentos, a sensação de estarem libertos, mas caíram na rotina de um sistema que os escravizou mais que a própria luta de classes, sem dar-lhes a oportunidade de crescimento pessoal e desenvolvimento social, posto que o estado dava-lhes o sustento e o trabalho, mostrando-se um feitor de maior peso que a própria luta pela sobrevivência nos sistemas capitalistas, o que fez com que a derrocada do socialismo se estabelecesse nos países do leste europeu.


Apesar da lógica exposta na afirmação de Marx, entendo que a única razão para o capitalista investir em meios de produção, e aquisição de mão de obra, correndo o risco da atividade empresarial, é a possibilidade de lucro, e consequentemente de obtenção de um crescimento patrimonial. O que significa, que não havendo vantagem e lucratividade, o capitalista, por certo, não arriscaria seu patrimônio, contratando empregados. As condições atuais de desemprego, e falta de investimentos em produção, seriam quiçá, resultado das pressões das organizações de trabalhadores que através de suas "conquistas" geraram desvantagens para o capitalista investir em produção, posto que ele paga salários nem sempre altos, mas com encargos que oneram de forma contundente seu custo de produção, além dos abusivos tributos a que se vê obrigado.


Vejo sem sombra de dúvida, atualidade, e realidade, no ainda que antigo, dizer de Rui Barbosa (Capital e Trabalho, in Campanhas Presidenciais 1919), que destaca ser a posição do Capital não antagônica ao Trabalho, sendo assim ambas, forças interdependentes.


"Não acrediteis que todos os males do sistema econômico predominante no mundo venham de que os meios de produção estejam com os detentores de capitais. Os operários não melhorariam, se, em vez de obedecer aos capitalistas, obedecessem aos funcionários do Estado socializado.


Assim como do trabalho depende o capital, assim, e na mesma proporção, do capital depende o trabalho. São as metades que, reciprocamente, se inteiram, de um organismo, cujos dois elementos viventes não se podem separar sem se destruírem."


CONCLUSÃO


Devemos sem sombra de dúvida, muito do que temos em termos de organização social, aos mestres da sociologia, cada qual dando-nos o melhor de seu intelecto, na busca de uma melhoria e de um desenvolvimento maior para a humanidade, que desde os tempos mais remotos, busca sua redenção.


Não se pode em momento algum, dizer que a humanidade estaria melhor ou pior se as posições dos pensadores sociais fossem diferentes do que aqui se analisou.


Todavia, temos muito ainda a modificar em nossa sociedade, cada um em sua atividade, pode ser um gerador de soluções voltadas ao crescimento socioeconômico, dentro de princípios éticos que construam uma sociedade mais justa e equânime.